ARTIGOS E DICAS

 

O Paciente Paranormal

Este é um fato que vem se tornando a cada dia mais usual nas clinicas de atendimento psicológico.

Na maioria dos casos os terapeutas seja ele psicólogo de formação diversificada ou clássica, bem como psicanalistas ou mesmo psiquiatras que atuem ou não como terapeutas, acabam por se defrontarem com uma situação sui-generes cuja dificuldade estará em enquadrar este paciente nas conhecidas teorias que povoam o universo dos terapeutas que transitam pelos anais da psicologia dos transtornos mentais.

Trata-se de um verdadeiro desafio, pois suas características são na maioria das vezes as causas de sua procura por terapia e para o mesmo sua queixa nunca é muito clara.

O terapeuta por sua vez busca entender a verdadeira razão pela qual é procurado e é comum não conseguir ganhar a confiança do paciente, quando sua posição que poderíamos classificar como cartesiana, é logo percebida pela intuição do paciente que  se recolhe, pois teme ser mal interpretado por suas inusitadas “fantasias”. 
Algumas características deste paciente podem ser até verbalizadas ou retiradas do seu discurso que poderiam ser vistas como experiências distorcidas da realidade, tais como, ter percepções diferenciadas do comum das pessoas, sentimentos e sintomas sem a ressonância de seus pares que podem causar nele um profundo sentimento de divergência.

A formação de seu auto conceito é um processo em constante montagem, pois os paradoxos do sistema vigente vividos pelo mesmo, deixam-no confuso( aquilo que não esta nos livros de ciências é loucura), embora um dos seus objetivos essências é ser coerente mas ele não consegue perceber que o PARADOXO NÃO ESTA DENTRO DELE MAS FORA DELE.   Tal auto percepção é sentida de maneira  inconfessável , pois ele não se atreve a declarar para o outro qualquer coisa que levante a suspeita de sua divergência  com o receio de sentir no seu ouvinte, a confirmação de sua sutil desconfiança de que ele não é “normal” (“em casa de enforcado não se fala em corda”).

A escolha de amigos pode tornar-se difícil, pois sua escala de valores é  influenciada em razão de seus  fenômenos e ele sente a diferença de maneira intensa,  entre aquilo que  vê e aquilo que  ouve e geralmente fica confuso e não sabe em que acreditar ou como avaliar as diferentes pessoas. Na verdade, lhe falta referenciais e ressonâncias claras em razão até  também de sua  historia familiar.
  

Há ainda outro motivo que colabora com o sentimento de “confuso”, pois geralmente tais pessoas possuem uma transparência bastante acentuada e esta característica é projetada no outro e assim ele sempre espera que o mesmo seja seu par na autenticidade, o que certamente irá lhe causar grandes e embaraçosas decepções e consequentemente movido pela sua insegurança e uma acirrada auto critica, o leva a sentir-se como inadequado e por isso assume o papel de causador das coisas que se lhe sucedem.  Tal posição adotada pelo mesmo, advèm  de sua essência onde o compromisso com o respeito e aceitação do outro é uma das muitas virtudes inatas das quais ele é possuidor.

Claro que aos menos avisados, isto parecerá uma características de ingenuidade e uma inadaptação  comportamental, se assim se pode dizer diante da falta de uma melhor formulação para esta visão do comportamento humano.   
As suas defesas para a proteção de seu ego  existem na forma de empréstimo,  advindo da aprendizagem, pois a ação de seu id permanece muito distante da estrutura egóica e sua estrutura de super-ego apenas reforça alguns aspectos da sua essência, a qual existiria e atuaria sobre sua personalidade independentemente  da formação ou não do referido super-ego.

Diante de tais características, todas as interpretações ou praticas terapêuticas formais, apenas cobrem parte das arestas emprestadas e visíveis deste grande poliedro cristalino. Este fato apenas lhe dá alivio temporário e as praticas terapêutica se constituem num instrumento de sua busca que se transformam num objetivo que o entretém durante sua sofrida trajetória de poder compreender sua atuação que justifique estar neste planeta.

Claro que o sistema não consegue atrai - lo de forma suficiente para alterar seu subjacente objetivo essencial, ou seja, reintegrar-se numa estrutura coerente e universal como um ser pertinente a ela.  

Concluído melhor pode-se dizer que esta posição o coloca num verdadeiro conflito onde ele que ser igual aos seus “pares” porem não se sente confortável em sendo um deles e por outro lado, não tem convicções suficientes para ser e assumir-se diferente.

Pode-se pensar então que lhe faltou construir uma identidade que o justificasse e claro que consequentemente, poderia dar a ele uma estrutura onde personalidade e essência estariam em equilíbrio, mas como conseguir o reconhecimento e aceitação social, fatores estes necessários para esta construção, se a elite das idéias acalentadas pelo sistema social, tem como objetivo subjacente formar e reforçar personalidades coniventes com a manutenção do poder ideológico e econômico vigente que exclui diferentes pensar sobre os verdadeiros e necessários valores da humanidade.

As razões  que os conduzem a adquirir esta característica esta relacionada a uma reação anímica ( da alma) diante dos acontecimentos que ocorrem ou ocorreram no período da trajetória que a mesma faz para vir à existência
                                                                  
                                          Osvaldo Ribeiro Filho
                                          (Psicólogo  CRP 6138)